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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Humanos Divinizados — última parte

Apesar de alguns erros de concordância e também de digitação, deixei entender nos quatros textos anteriores que Deus proíbe o homem de fabricar e adorar estátuas; que é Deus quem faria imagens de Si, em cada pessoa nascida viva; que o pecado original fez o ser humano perder a imagem [e semelhança] de seu Criador, além de  fazê-lo separar-se de Deus; separado de Deus e contaminado com o pecado, o ser humano passa a fabricar imagens de outros "deuses".

Há uma teoria histórica apontando para a origem da adoração e fabricação de estátuas de "deuses", assim: as comunidades primitivas viviam em clãs chefiados por patriarcas, que os lideravam em batalhas contra outros clãs. Os patriarcas vitoriosos recebiam devoção enquanto vivos, e quando morriam muitas vezes seus sucessores faziam-lhes preces imprecatórias por proteção e vitórias e, uma vez alcançadas, rendiam-lhes adorações, ofertas e sacrifícios. Daí surgem os "ídolos do lar", para cada clã reverenciar seus próprios patriarcas falecidos, por reconhecerem neles poderes espirituais que os capacitavam interferir no plano material, depois de mortos.

Desse ambiente de adoração a patriarcas que se tornaram "deuses" depois de mortos, que o Senhor Deus retirou um homem (Abrão) da idolatria, a quem se revelou como o Deus único, criador de tudo o que existe, e a partir de quem fez descender-Lhe uma tribo (o clã dos hebreus) para Lhe Adorar com exclusividade na terra prometida ("Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para a herdares" – Gênesis 15:7).

Descendentes de Abrão, pela promessa: Isaque e Jacó. De Jacó, com seus doze filhos, surge o Clã dos Hebreus que desce para o Egito, onde formam uma grande nação ao longo de quatrocentos anos, aproximadamente. Depois, liderados por Moisés, os Hebreus saem do Egito, de retorno à terra prometida ao patriarca Abrão. No trajeto de volta, Deus lhes dá os Dez Mandamentos e diversos preceitos civis, religiosos e sanitários, dentre os quais a proibição de fabricar e adorar imagens (Êxodo 20:4), e consultar e cultuar mortos (Deuteronômio 18:11), que são práticas  abomináveis dos povos ímpios e politeístas.



Nesse sentido transcrevo a seguinte lição de William Macdonald e Brad Hanes, in Suprema Majestade, 1ª edição, Actual Edições, 2012, introdução: "Os ímpios não querem manter o verdadeiro Deus em seu conhecimento. Eles sabem que crer em tal Deus restringiria seu estilo de vida. Então, eles se voltam para a idolatria: fabricam imagens de pessoas, pássaros, animais e cobra e os adoram. Uma vez que cada imagem representa um degrau abaixo na escala da criação, sucede que eles se sentem cada vez menos responsáveis por viver uma vida limpa. Se o deus deles é uma cobra, tanto faz a maneira como vivem. Isso explica o vínculo estreito entre idolatria e imoralidade. Ídolos fabricados por seres humanos não fazem exigências morais aos seus adoradores. Todos nos tornamos parecidos com aquilo que adoramos". Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim. 

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

(Publicado na edição 368 ano 09, de 13 a 19-11-2013, do Jornal Folha do Iguaçu, página 9).

domingo, 10 de novembro de 2013

Humanos Divinizados — parte 4

No final do texto anterior mencionei que Jesus não é um humano divinizado, senão o próprio Deus que se fez homem e, sendo Ele Deus, o homem está proibido de fazer-Lhe imagens. Em outros textos referi que os israelitas (judeus) acreditavam no Deus único, criador dos céus, da terra e de tudo o que existe, sem nunca fazer-Lhe imagens. No tempo de Jesus esse povo sofria influência cultural-religiosa dos romanos que estes, por sua vez, haviam absorvido dos gregos, isto é a religião romana era a religião grega "atualizada" para sua época, com "adaptação" de nomes divinos a sua realidade.

Na época dos Macabeus, os Romanos ajudaram os Judeus a se libertarem dos gregos e, depois disso, aproveitando-se da confiança que tinham, dominaram a Palestina por volta de 63 a.C., e escravizaram os Judeus. Mais tarde, o crescimento do cristianismo trouxe instabilidade político-religiosa àquela região e, consequentemente, aos próprios Romanos, o que levou o general Tito invadir Jerusalém e matar milhares de judeus (inclusive cristãos) em 70 d.C.. Porém quanto maior a perseguição aos judeus, mais aumentavam os cristãos, a ponto de o Imperador Constantino, mais ou menos 250 anos depois, como política pela "paz", agregar o Deus dos judeus (e também dos cristãos) ao seu panteão de "deuses" como o Deus supremo dos romanos, destronando seu antigo deus supremo, Júpiter (o equivalente a Zeus, da Grécia).

Do panteão de "deuses" romanos destacavam-se: Júpiter, rei de todos os deuses; Apolo, deus do sol e patrono da verdade; Vênus, do amor e beleza; Marte, da guerra; Minerva, deusa da sabedoria e conhecimento; Plutão, dos mortos, do mundo subterrâneo; Juno, rainha dos deuses, era a protetora dos matrimônios e das famílias, e dos partos; Diana, deusa da caça, castidade, animais selvagens e luz, ela "obteve de seu pai a permissão para sempre permanecer casta", isto é, virgem; Ceres, deusa da colheita, agricultura; Mercúrio era mensageiro dos deuses e protetor dos comerciante.

Quando Constantino agregou o Deus dos Judeus (e dos cristãos) aos seus "deuses", uma parte da liderança religiosa cristã aceitou isso de bom grado, porém grande parte da Igreja Cristã considerou esse fato um insulto a Deus, e perseguições surgiram aos que não aceitaram a decisão daquele imperador. A Igreja se divide.  A parte que se aliou ao imperador persegue a parte dissidente (ou a parte "protestante" da época), porque se recusara adorar Deus junto com os "deuses" romanos, que nada mais eram do que humanos divinizados (todas as divindades romanas tinham forma de pessoas, porém com "atributos" divinos).

Depois dessa divisão da Igreja a ala "cristã romana" promove adaptações à novel religião do Império Romano, rebaixando os "deuses" a outra categoria "divina", para não serem mais invocados como "deuses", designação que se tornara incompatível com a nova fé sincrética e politeísta praticadas pelos "novos cristãos romanos". Os nomes dos "deuses" também foram alterados, mas com as mesmas atribuições. Essa prática se desenvolveu ao longo do tempo, tendo alcançado nossa época, basta ver a quem são atribuídas honras em cultos comemorativos de colheitas, de proteção a cidades, casamentos, trabalhos, profissões e o mais. Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim. 

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Humanos Divinizados – parte 3

No texto anterior mencionei que tendo Deus feito o homem a Sua imagem (Gênesis 1:27), seria Ele a fazer imagens vivas de Si mesmo em cada ser humano, não fosse o pecado do primeiro casal (Adão e Eva) levar humanidade toda a perder a imagem do Criador. Mencionei também que o homem, para saciar seu vazio, passou a fabricar seus próprios "deuses" e a representá-los em estátuas de ouro, prata, pedra, madeira e outros materiais, que nada veem, nada ouvem, não cheiram e nem falam (Salmo 113:12-15, Ave). Ainda, referi que os judeus ["autores intelectuais" da Bíblia] nunca fabricaram estátuas que representassem o Senhor Deus.

A fabricação de "deuses" de estátuas nada mais é do que pretender "divinizar" personalidades que viveram entre nós, de modo a incutir no consciente coletivo que determinadas pessoas são "deuses", ou tornaram-se divinas após a morte, por conta de suas vidas santas e piedosas, e assim adquiriram poderes miraculosos que lhes capacitam interceder e intervir na vida de seus adoradores. Isto é um tipo de idolatria: criação de ídolos humanos para receberem adoração, honra e glória como se fossem "deuses". Aqui cabe, perfeitamente, o pensamento ateísta de que não fora um deus o criador dos homens, mas os homens os criadores de deuses.

Como mencionado, os judeus nunca fizeram imagem alguma de Deus. Porém por muitos anos e por diversas vezes tornaram-se politeístas e veneraram estátuas de "deuses" de outros povos, e prestaram culto a elas, ao invés de adorarem exclusivamente ao único Deus; repartiram a adoração devida a Deus com outros "deuses", contrariando as Escrituras que dizem: "Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra" (Isaías 42:8, Ave).

E em todas as vezes que agiram assim, sofreram danosas consequências: foram atingidos por pestes, passaram fome e sede, tornaram-se escravos de outras nações, a corrupção dominou seus líderes políticos e religiosos (e qualquer semelhança com nossa realidade não é mera coincidência). De outro lado, toda vez que se arrependeram, com confissão individual do pecado da idolatria (adoração a outros "deuses"), o Senhor Deus restaurou-lhes como nação.

Em relação à fé genuinamente cristã a Bíblia esclarece que Jesus Cristo se apresenta como nosso único intercessor ante a face de Deus (Hebreus 9:24), o que é reforçado pelo apóstolo João: "Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo" (1João 2:1). Jesus não é um humano divinizado, senão o próprio Deus que se fez homem. E sendo Ele Deus vindo à terra (João 1:1; 1João 5:20), o homem está proibido de fazer-Lhe imagens. O que passar disso ou é distorção dolosa da Palavra ou é má interpretação das Sagradas Escrituras. Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim.

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Humanos divinizados — parte 2

No texto anterior mencionei que o culto a imagens é o ponto nevrálgico de fé, apontando que há um grupo de fieis que o aceita e outro que o rejeita; referi ainda, textos de Deuteronômio 4 pelos quais, segundo minha interpretação, o Senhor Deus proíbe a veneração, adoração de imagens. Prosseguindo nessas reflexões, pretendo tratar da imagem de Deus, segundo a Bíblia, a começar do princípio.

 O Livro de Gênesis, escrito por Moisés durante os 40 anos de peregrinação do povo hebreu pelo deserto, conta a origem do mundo; e, em relação à criação do homem, consta assim: "E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou" (1:27). Por que Moisés escreveu que o homem foi criado à imagem de Deus? Foi, dentre outras razões, para distinguir Deus dos "deuses" de outros povos. 

A imagem de Deus seria refletida na terra em cada um dos seres humanos vivos. Já os povos politeístas fabricavam - e ainda fabricam - seus "deuses" nas mais variadas formas, desde minotauro (metade homem, metade boi) a seres alados (homem/mulher com asas), além de inúmeros "astro-deuses" com "poderes" sobre a natureza. Era - e é - em entidades tais, representadas em imagens feitas por artífices (marceneiros, ourives), que as pessoas depositavam suas esperanças, frustrações e conforto, e a quem dedicavam oferendas, sacrifícios (inclusive de crianças) e orações e procissões. 

Na contramão dos povos politeístas, os hebreus adoravam um único Deus: O Criador dos céus, da terra e de tudo que existe, e nunca Lhe fabricaram uma única estátua em Sua homenagem (e veja que para eles seria fácil construir imagens de Deus, pois, sabedores que o homem é imagem de Deus, bastava pegar alguns para "modelos" do Criador). E nunca fizeram isso em obediência ao Segundo Mandamento, que diz: "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos" (Êxodo 20:4-6).

Ora, do ponto de vista bíblico, é Deus quem faz imagens vivas de Si mesmo, e o faz em cada ser humano, a partir do primeiro casal. Ao menos esse era o "projeto original". Entretanto, as duas primeiras imagens de Deus na terra (Adão e Eva)  corromperam-se com o pecado e, em consequência, a humanidade perdeu a imagem do Criador, e também Sua semelhança. Depois disso, separado do único Deus o homem, para saciar seu vazio, passou a fabricar seus próprios "deuses" e a representá-los em estátuas de ouro, prata, pedra, madeira e outros materiais, que nada veem, nada ouvem, não cheiram e nem falam (Salmo 113:12-15, Ave). Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim. 

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

(Publicado na edição 363, ano 09, de 25 a 29-10-2013, do Jornal Folha do Iguaçu, página 4).

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Humanos divinizados — parte 1

Numa área "de baixa profundidade, não havia vento forte e o tempo era estável" (Capitania dos Portos de Macapá-AP), pelos menos 17 pessoas morreram afogadas em acidente durante a procissão fluvial do Círio de Nazaré na manhã de sábado, 12-10-2013, com um dos 38 barcos que saíram da cidade de Santana-AP em direção à capital, Macapá, por volta das 7h30, em um percurso de cerca de 20 quilômetros. Durante a procissão os fieis levavam uma imagem do que eles aprenderam a denominar de "Nossa Senhora de Nazaré". 

Culto a imagens: eis o ponto nevrálgico de fé. Para um grupo de fieis constitui veneração (o mesmo que adoração, segundo o dicionário) a personalidades humanas que foram "divinizadas" após a morte, por decretos religiosos; para outro grupo, representa culto a demônios. O tema encerra grandes volumes doutrinários pró e contra, todos apoiados em interpretações das Sagradas Escrituras. Partindo-se do princípio que a Bíblia não contém erros, deduz-se, sem maiores esforços, que um dos dois grupos a interpreta mal e, consequentemente, a pratica de forma errada, contrária à vontade de Deus.

Quem já leu a Bíblia (e eu acredito que você, leitor, já fez isso – até porque o tempo de proibição há muito que acabou, graças a Deus!), percebeu que, sim, Deus mandou construir certas imagens (de querubins, de serpente, de palmeiras). Leitor, preste atenção no verbo: Deus mandou construir algumas estátuas, que serviram ora de adorno, enfeite, ora para representar algo existente no mundo espiritual. Porém, o Senhor jamais mandou que se prestasse culto, adoração, veneração a tais imagens; pelo contrário, Ele proibiu essas práticas, inclusive com pena de destruir os desobedientes. Ao menos essa é a minha interpretação de todos os textos bíblicos, em seus exatos contextos gramaticais, históricos e culturais, que mencionam estátuas, imagens ou figuras, como estes, p.ex, do cap. 4 de Deuteronômio:

"Então o SENHOR vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes figura alguma. Então vos anunciou ele a sua aliança que vos ordenou cumprir, os dez mandamentos, ..." (12-13); "Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o SENHOR, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; Para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher" (15-16).

"Guardai-vos e não vos esqueçais da aliança do SENHOR vosso Deus, que tem feito convosco, e não façais para vós escultura alguma, imagem de alguma coisa que o SENHOR vosso Deus vos proibiu. Quando, pois, (...) vos corromperdes, e fizerdes alguma escultura, semelhança de alguma coisa, e fizerdes o que é mau aos olhos do SENHOR teu Deus, para o provocar à ira, (...) certamente logo perecereis da terra, (...). E o SENHOR vos espalhará entre os povos, (...). E ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram" (23, 25-28). 

Na próxima sexta-feira, querendo Deus, continuaremos. Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim. 

Antônio Marcos Penna Borges, cristão. 

(Publicado na edição 361, ano 09, de 18 a 22-10-2013, do Jornal Folha do Iguaçu, página 11).

sábado, 12 de outubro de 2013

Eis aí tua mãe (João 19:27)

Pouco antes de morrer na cruz, disse Jesus à Maria, sua mãe, que João era "filho" dela (na realidade, João era amigo da família); e, depois, falou a João: "Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa." Por que Jesus disse essas palavras? Qual era sua verdadeira intenção? Será que foi, de fato, para determinar Maria como mãe dos cristãos? Vejamos à luz da Bíblia Sagrada.

Já referimos em textos anteriores que a Bíblia é produto judeu e por isso precisa ser interpretada sob a cultura judaica, para se evitar doutrinas distorcidas da vontade de Deus. Nesse compasso, sabemos que Jesus foi o filho primogênito de Maria, vez que José "não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus" (Mateus 1:25). Em outras palavras, esse versículo explica que José não teve relações sexuais com Maria até o nascimento de Jesus, o filho primogênito. Depois disso, o casal José e Maria passou a viver exatamente como viviam os demais casais judeus daquela época: e tiveram outros filhos ("Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te"), conforme Mateus 12:47; Lucas 8:20; Marcos 3:32, salientando que nesses textos, escritos em grego, consta a palavra "filhos", e não "primos".

Logo, como primogênito, Jesus era o filho mais velho dentre os filhos de José e Maria. Na cultura judaica cabia ao pai o cuidar da família, e na falta do pai o cuidado passava para o filho mais velho, até os demais irmãos tornarem-se adultos. Então, Jesus, sendo o filho mais velho, era ele que cuidava de sua família e, por conseguinte, de sua mãe, já viúva. Agora, na falta do filho mais velho (primogênito), a mãe viúva ficaria sob os cuidados da pessoa indicada pelo filho mais velho, que poderia ser um dos outros filhos ou até mesmo alguém de fora, porém próximo da família.

Conclui-se, desse modo, que Jesus, antes de morrer, simplesmente cumpriu com o seu dever de filho mais velho de deixar sua mãe sob a proteção de alguém próximo da família que, no caso, era o discípulo João, o único que estava aos pés da cruz consolando Maria. Assim, não houve dúvidas em Jesus que Maria estaria bem segura com João, tanto que esse logo a levou para sua casa.

No mais, tem-se por absoluto que o Novo Testamento, escrito todo em grego, língua rica em palavras e definições, não fixa como regra que os cristãos primitivo prestavam qualquer reverência à Maria, mesmo quando viva ou mesmo depois de sua morte (os primeiros cristão e mesmo os cristãos posteriores não criam em Maria como "Mãe de Deus", dogma tardio introduzido no ano de 431 dC, no Concílio de Éfeso; como também não criam na assunção de Maria, dogma esse introduzido há bem pouco tempo, no ano de 1950 por Pio XII). Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim.

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

sábado, 5 de outubro de 2013

"Quem crer e for batizado será salvo" (Marcos 16:16)

Existe um certo misticismo e enorme debate teológico acerca do batismo cristão. Ele está envolto em questões do tipo: é de origem judaica ou divina? Batizam-se crianças? Existe idade mínima para ser batizado? A pessoa é salva pelo batismo? Quem não é batizado é pagão? O que é ser pagão? O batismo deve ser por imersão, aspersão ou derramamento de água?

Ressalta-me a questão que afirma que "quem não é batizado é pagão", justamente porque provém de um dos sistemas religiosos que mais adota o paganismo em suas liturgias (entendendo paganismo como doutrinas religiosas diversas da Sã Doutrina ensinada e praticada pelos primeiros cristãos, conforme relatado na Bíblia). Para mim é contraditório um sistema religioso pagão afirmar que é pagã a pessoa não batizada. Porém a lógica, aqui, está em se entender como pagã a pessoa não batizada naquela religião, vez que é pelo batismo que a pessoa é inserida nele, de modo que sem ser batizada a pessoa não faz parte daquela igreja.

De outro lado, há sentido na expressão "sem ser batizada a pessoa não faz parte da igreja", quando estiver diretamente relacionada com o sentido correto do que é batismo: ato público pelo qual uma pessoa revela o consentimento interior à certa doutrina, ideologia, filosofia, profissão etc.. Normalmente o batismo finaliza um período de estudos sobre determinada disciplina, e pode ocorrer de diversas formas, conforme seja o tipo de estudos finalizados. Por exemplo, o batismo que encerra um curso acadêmico se dá na forma de "formatura". A "formatura" é, por assim dizer, uma espécie de batismo pelo qual o formando revela ao público que estudou e aprendeu o que lhe foi ensinado ao longo do curso que está concluindo.

Então, para se "formar" cristã a pessoa necessariamente precisa estudar e, principalmente, aprender sobre a Sã Doutrina Cristã, crer nela, para, finalmente, ser batizada, revelando ao público, por meio de um ato realizado em águas, que creu em Jesus Cristo e, por isso, se converteu a Ele, aceitando-O como único e suficiente Salvador de sua alma, Senhor de sua vida e único intercessor entre si e Deus nos Céus. É assim que a Bíblia ensina.

Eis o porquê Jesus sentenciou, pouco antes de ascender aos Céus, que "Quem crer e for batizado será salvo: mas quem não crer será condenado" (Marcos 16:16). É que o "crer" antecede o batismo. Primeiro, a pessoa aprende sobre Jesus e sua doutrina e, depois, se ela crer no que aprendeu, recebe o batismo; e se não crer, desiste e não é batizada. Simples assim! Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim.

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

(Publicado na edição 358, ano 09, de 04 a 08-10-2013, do Jornal Folha do Iguaçu, página 4).

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Onde encontramos a Verdade?

No texto anterior mencionamos que não há unidade na fé cristã, motivo de o mundo  duvidar que Deus enviou Jesus para dar vida eterna a todo que nEle crer (João 3:16), e isso porque muitas instituições religiosas se acham mais conservadoras da "verdade cristã" que outras e, infelizmente, não ensinam sobre Jesus Cristo como deveria ser ensinado.

Então, onde encontramos a Verdade, do ponto de vista cristão? A resposta parece bastante óbvia: exclusivamente na Bíblia Sagrada. Mas em qual das suas versões (lembrando, p. ex., que católicos e protestantes acusam-se, mutualmente, de adulteração das Escrituras)? A questão torna-se simples, quando entendemos a origem das Sagradas Escrituras e a quem são originalmente dirigidas.

Na essência e origem a Bíblia é produto da cultura religiosa judaica, contendo toda doutrina sobre Deus, criação, homens, terra, vida, morte, pós-morte, do ponto de vista hebreu. Jesus é o Messias prometido por Deus no Antigo Testamento hebraico e, como autêntico judeu, Ele viveu segundo a religião judaica, mas combatendo as heresias praticadas pelos sacerdotes daquela época.

Naquele tempo as Escrituras Judaicas estavam divididas em três partes: Leis, Profetas e Escritos (Lc 24:44), formando a "Tanach" (Bíblia Hebraica), com vinte e quatro livros (rolos), encerrados aproximadamente 440 a.C. Esses rolos correspondem, em conteúdo, exatamente aos trinta e nove livros do Antigo Testamento contidos na Bíblia protestante. As doutrinas de Jesus, reveladas nos vinte e sete Escritos do Novo Testamento, e a formação da Igreja Primitiva eram fundamentadas nesses livros do Antigo Testamento.

Temos, então, que a Verdade Cristã emerge de trinta e nove livros do Antigo Testamento judaico e de vinte e sete escritos do Novo Testamento. Em sessenta e seis livros Deus revelou ao ser humano Sua Essência, seus propósitos e o Caminho para que retorne à vida eterna.

É importante salientar que a tradução do Antigo Testamento para o grego, feita pelos "Setenta" em torno de 285 a.C., trazia quatorze escritos apócrifos (ou deuterocanônicos) porque escritos depois dos vinte e quatro rolos e também porque traziam doutrinas espúrias, motivo por que nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico, jamais foram citados por Jesus nem foram aceitos pela Igreja Primitiva.

Ao traduzir a versão Septuaginta para a Vulgata (405 d.C.), Jerônimo incluiu os escritos deuterocanônicos sob ordens superiores, advertindo, porém, que nunca poderiam ser base de doutrinas cristãs. Com a Reforma Protestante, cujo ápice se deu com o Monge Martinho Lutero em 1517, os reformadores afirmavam que os livros apócrifos, embora não inspirados, possuíam valor literário e histórico. Já o catolicismo aceitava os quatorze textos deuterocanônico como fonte doutrinária, porém na contra-reforma de 1546, pelo Concílio de Trento, canonizou somente onze. Os protestantes, por sua vez, retiraram os apócrifos de suas Bíblias após 1629, para evitar confusão entre as pessoas simples que não sabem distinguir livros canônicos de apócrifos.

Percebemos, enfim, que a versão protestante da Bíblia Sagrada contém exatamente os mesmos textos utilizados pelos antigos judeus, somados aos escritos do Novo Testamento, totalizando sessenta e seis Livros Sagrados pelos quais o Senhor Deus revela sua Verdade aos homens. Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim.

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

(Publicado na edição 356, ano 09, de 27-09 a 01-10-2013, do Jornal Folha do Iguaçu, página 6).

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

OLHAR-SENO ESPELHO: COM CRISTO

Antes de Cristo: feridas, rebeldia, cabeça doente, coração enfermo, contusões e chagas, e desde a planta do pé até à cabeça não há nos humanos coisa sã (Isaías 1:5-6). Depois de Cristo: nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo (2 Coríntios 5:17). Depois de Cristo o ser humano deve ser um com Jesus Cristo, em unidade com Ele.

O propósito da Sã Doutrina Cristã é elevar todo ser humano, que recebe a Jesus como seu suficiente Salvador, "até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo" (Efésios 4:13). E desse modo cumpriremos esta Palavra: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste." (João 17:21).

Eis a declaração pública de Deus para dar cumprimento à Sua Palavra: "o mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem, em toda a sabedoria, para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo" (Colossenses 1:26-28).

Não precisa ser muito esperto, porém, pra se perceber que não há unidade na fé cristã, e, por isso, o mundo já não crê que Deus enviou Jesus, seu Filho, para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16). Isso porque muitas instituições religiosas se acham mais conservadoras da "verdade cristã" que outras e, infelizmente, não ensinam sobre Jesus Cristo como deveria ser ensinado. Muitas religiões se fundamentam sobre dogmas humanos, em detrimento da genuína Sã Doutrina, e levam seus fieis à medida da estatura completa do diabo, não de Cristo. Por isso que há muito joio em meio a pouco trigo. Jesus Cristo, o Mistério revelado aos santos da Igreja primitiva, vem deixando de ser anunciado, pouco a pouco. 

Ele tem sido misturado, sorrateiramente, com outras "deidades", a ponto de O negarem como único Senhor e Salvador; outras "divindades" têm sido colocadas lado a lado com Ele como "redentoras", "salvadoras". A Diana dos Efésios continua sendo venerada, só que com outro nome. Mas glórias a Deus pelos enganadores de homens, porque neles também se cumpre a Palavra: "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição" (2 Pedro 2:1). Entretanto a mesma Palavra também nos adverte, assim: "Tenham cuidado para que ninguém os torne escravos por meio de argumentos sem valor, que vêm da sabedoria humana. Essas coisas vêm dos ensinamentos de criaturas humanas e dos espíritos que dominam o Universo e não de Cristo" (Colossenses 2:8 NTLH).

Caro Leitor, exclusivamente com Cristo na tua vida você irá olhar-se no espelho e, no teu reflexo, verá a Jesus, porque Ele será um contigo. Do contrário, a imagem  refletida será distorcida. Só depende de você. O Senhor Deus já fez a parte dEle. Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim. 

Antônio Marcos Penna Borges, cristão. 

(Publicado na edição 354, ano 09, de 20 a 24-09-2013, do Jornal Folha do Iguaçu, página 11).

sábado, 14 de setembro de 2013

OLHAR NO ESPELHO: DEPOIS DE CRISTO


O leitor que já se olhou no espelho percebeu que os humanos não passam de pó, e  que antes de Cristo são vistos por Deus como feridas, rebeldia, cabeça doente, coração enfermo, contusões e chagas, e desde a planta do pé até à cabeça não há neles coisa sã (Isaías 1:5-6), isso porque se desviaram das Palavras de Deus, andando após outros "deuses" (Deuteronômio 28:14), e misturaram seu Nome aos de outras "divindades" de pau, de pedra (sincretismo).

No tempo de Jesus as pessoas cultuavam deuses romanos, que eram os mesmos deuses gregos com os nomes adaptados à língua e cultura romanas. Jesus veio relembrar os humanos a crerem somente no Único Deus, que não tem imagem, pintura, fotografia, estátua de pau, pedra, gesso, madeira que O represente na terra. Ao ser questionado sobre o Maior Mandamento, Jesus respondeu que o Senhor, nosso Deus [dos judeus, a princípio], é o único Senhor (Marcos 12:29), lembrando o Primeiro Mandamento que diz: "Não terás outros deuses diante de mim" (Êxodo 20:3).

De trezentos anos depois de Cristo para cá, a partir de decisão política, os deuses romanos penetraram a Igreja, adaptaram seus nomes à cultura cristã e passaram a ser venerados diante de Deus, em afronta ao Primeiro Mandamento. Os cristãos que não aceitaram essa decisão foram perseguidos e mortos pela liderança político-religiosa aliada ao imperador romano. Desde então, a religião mística que se (de)formou com o Império Romano se impôs, manipulando e proibindo as Sagradas Escrituras, ao passo que os cristãos "rebeldes" ficaram à margem da história, perseguidos por pregarem arrependimento de pecados e fé no Único Deus, desapegados de deidades greco-romanas, etruscas etc..

Nesse ponto Deus olha para o ser humano e vê duas espécies: uma, a que misturou seu Nome com outros deuses, continua ferida da planta dos pés à cabeça; a outra, que manteve a fé exclusiva nEle, está limpa, purificada de todos os pecados mediante morte, sepultamento e ressurreição com Cristo. Aquela espécie de ser humano ainda vive antes de Cristo, isto é sem Ele, embora use Seu nome misturado aos de "deuses" greco-romanos traduzidos para suas respectivas liturgias. Já a segunda espécie de humanos vive depois de Cristo, ou seja com Ele, provando a Nova Vida que Ele oferece de graça (2 Coríntios 5:17 - Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo).

Agora, caro leitor, olhe-se no espelho, bem no fundo de seus olhos, e veja a qual dessas espécies você pertence. Saiba que assim como Jesus Cristo dividiu a história em dois períodos: antes e depois dEle, também Ele deseja dividir a história da tua vida, bastando apenas que você O aceite como teu único Senhor e Salvador, e único intercessor e mediador entre você e Deus, sem qualquer intermediação de alguma deidade greco-romana ou etrusca. Honras e glórias a Jesus Cristo, e críticas a mim.

Antônio Marcos Penna Borges, cristão.

(Publicado na edição 352, ano 09, de 13 a 17-09-2013, do Jornal Folha do Iguaçu, página 8).